Muito além da meia-noite em Paris!

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O filme Meia-noite em Paris, do cineasta americano Woody Allen, foi um sucesso. Recebeu elogios tanto da crítica como do público, na França e no Brasil. Aliás, após mais de um mês, ele continua em cartaz em São Paulo. Para quem ainda não o viu, fica a dica. Para quem já o viu e ficou com curiosidade de conhecer um pouco mais sobre aquele período fantástico retratado no filme, felizmente há boas opções de leitura em português.

 

Muito além…

Um deles é Os exilados de Montparnasse, escrito pelo francês Jean-Paul Caracalla. No livro, além de histórias e anedotas envolvendo personagens presentes no filme, como Gertrude Stein, Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald, acompanhamos os bastidores de grandes acontecimentos culturais da época, como a aventura da publicação do livro Ulisses, do irlandês James Joyce, uma personalidade introspectiva em uma cidade e um tempo que buscava conciliar a vida intelectual com (muitas) diversões noturnas.

Aliás, uma das personalidades mais destacadas da Paris dos anos 20 é justamente a mulher responsável pela edição de Ulisses em 1922, a americana Sylvia Beach, fundadora da livraria Shakespeare & Co, até hoje um lugar lendário de Paris.

Entre histórias tristes de artistas e mecenas que se suicidaram e de escritores que alcançaram o sucesso no centro mundial das artes, há espaço para situações absolutamente surreais, bem no espírito do tempo. Cito apenas uma delas envolvendo Scott Fitzgerald.

Estava ele uma tarde no bar do hotel Ritz, acompanhado de Hemingway, ambos já um tanto embriagados, quando vem entrar uma bela jovem e, a seu lado, um homem que eles consideram grotesco. Fitzgerald manda um mensageiro entregar à moça um buquê de orquídeas e um bilhete propondo um encontro. Ela as recusa, sem nem mesmo olhar para as flores. Fitzgerald recupera o buquê e literalmente come as pétalas uma a uma. O mais curioso, segundo Hemingway, é que a bela, tão indiferente, acabou por comparecer ao encontro proposto por Fitzgerald. Foi a criação do “golpe das orquídeas”!

Diferentemente do livro de Caracalla, que abarca as décadas de 20 e 30 e concentra-se nas relações entre escritores, editores e milionários americanos, o livro de William Wiser – Os anos loucos: Paris na década de 20 – foca-se apenas nos “années folles” da década de 20 e joga luz em um espectro maior de figuras: pintores, escultores, fotógrafos e, claro, escritores. Possui a vantagem também de trazer fotos das personagens do livro. No entanto, peca por não trazer uma bibliografia complementar, fator presente na obra de Caracalla.

Guilherme Reed

 

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