Comércios também tem seus monumentos históricos em Paris

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Em São Paulo, nada mais comum do que caminhar por suas ruas e avenidas e deparar-se sem muita dificuldade com algum canteiro de obras, em geral prédios residenciais ou de escritórios com muitos, muitos andares. Em certos casos, chegamos a nos perguntar como é possível um edifício com tamanhas proporções ser erguido em ruas tão estreitas ou já congestionadas pelo tráfego de veículos. Imaginamos então o que será daquele pedaço da cidade após o término da obra…

Se São Paulo se caracteriza por uma legislação extremamente frágil diante do apetite de construtoras por cada vez mais novos prédios, Paris talvez seja o exemplo diametralmente oposto. O tipo de urbanismo que lá predomina privilegia muito mais o espaço público e a preservação do patrimônio arquitetônico de outros tempos.

Isso talvez não seja uma novidade para os brasileiros que conhecem algo de Paris, pois sabemos que grandes construções com séculos de existência ainda são visíveis na paisagem parisiense: a catedral de Notre-Dame, o museu de Cluny, os hôtels particuliers da ilha Saint-Louis ou a basílica do Sacré-Coeur.

Mas talvez não seja tão conhecido o fato de que também as lojas, os bares e restaurantes, além dos hotéis, todos eles estão também sujeitos a serem tombados ou receberem a classificação de monumento histórico. Sim, o setor de comércio e serviços, tão dinâmicos, quando instalados em imóveis considerados excepcionais ou representativos de uma determinada época, devem respeitar as disposições legais de proteção e conservação.

Atualmente, entre os 1.926 monumentos históricos de Paris, 90 são lojas, restaurantes ou hotéis. Isso significa que qualquer reforma ou modificação no imóvel, interna ou externamente, deve passar por avaliação, entre outros órgãos, do DRAC (Direction Générale des Affaires Culturelles).

Em agosto 2011, um caso chamou a atenção das autoridades e da população para o problema da defesa desse tipo de patrimônio: 13 magníficas telas do pintor Gustave Surand (1860-1937) que ornavam as paredes do Bar Romain, no número 6 da rue Caumartin (9º arrondissement) foram vendidas em um leilão, descaracterizando o interior do início do século XX. As telas, aliás, dedicadas à glória de Roma, justificavam o nome do próprio bar. Cada tela, valendo cada uma entre doze e quinze mil euros, foram substituídas por fotos. É bom frisar que não houve nenhuma infração legal, já que o local não era tombado. O local ainda preserva a madeira de acaju vinda de Cuba e as colunas em mármore de Siena (Itália).

A partir de agora, as autoridades do DRAC prometem reforçar a procura por esse tipo de local e inventariá-los no patrimônio histórico e arquitetônico antes que sejam alvo de desmonte ou destruição. Aproveitamos o momento e sugerimos alguns dos locais que já estão protegidos e podem ser visitados, como um roteiro alternativo, por todos aqueles que estiverem em Paris:

  • Au Rocher du Cancale: 78, rue de Montorgueil (2º arrondissement): 01 42 33 50 29
  • La boulangerie: 29 rue de Poitou (3º arrondissement):
  • Bouillon Chartier: 3 rue Racine (6º arrondissement): 01 44 32 15 60
  • Claverie: 234 rue du Faubourg Saint-Martin (10º arrondissement): 01 53 35 07 50
  • Prunier: 16 avenue Victor-Hugo (16º arrondissement): 01 44 17 35 85
  • À la mère de famille: 35 rue du Faubourg-Montmartre (9º arrondissement): 01 47 70 83 69

 

Guilherme Reed

 

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