Por que surge o nervosismo na hora de falar em público?

A- A+

Pavor de ser o centro das atenções? Insegurança? Dificuldade de aceitar criticas? Quais seriam os principais fatores que levam profissionais, até mesmo os mais experientes no mercado, a “travar” ou suar frio quando se deparam com apresentações em público?

Por que surge o nervosismo na hora de falar em público? Como acabar com ele?

Segundo a inglesa Alexandra Sleator, CEO fundadora da Coaching for Inspiration Ltd e profissional com larga experiência no mercado (ex-diretora da UBS AG, do Lloyds Banking Groupe da J.P. Morgan), o nervosismo e a sensação de paralisia na hora de fazer uma apresentação oral podem ter diversas origens, que em alguns casos acabam mesmo por se combinar e levar o profissional a um estado de extrema ansiedade.

Os três fatores que causam nervosismo na hora de falar em público

O primeiro ela chama de “medo dos tempos da caverna”.

A caverna aqui não tem nada a ver com o mito de Platão ou com preceitos filosóficos. Muito pelo contrário, este é um medo que afeta a maioria das pessoas justamente por estar ligado a nossos instintos de sobrevivência mais primários. O receio de ser excluído do grupo, por exemplo, é um medo “primitivo” ou “animal” que vem do tempo em que os homens andavam em bandos para se defender das intempéries da natureza.

O medo dos tempos da carverna, fator de nervosismo

Sleator explica: “Naquele momento de nossa evolução, nosso cérebro estava programado para nos proteger dos perigos exteriores, e principalmente para nos ajudar a identificar rapidamente nossas opções a fim de decidir pelo enfrentamento ou pela fuga. Evitar o perigo queria dizer geralmente optar pela aproximação do grupo. Vocês conhecem o dito popular: ‘a união faz a força’.”

Pois bem, mas não seria a apresentação oral justamente uma forma de se aproximar do grupo e de estar seguro? Por que então ficamos nervosos ao estar entre iguais?

O que Sleator quer dizer é que se trata nesse momento de colocar à prova para o grupo nossa capacidade de fazer parte dele. Segundo o receio de tipo instintivo, nada está garantido justamente porque estamos vulneráveis. Fazer colocações infelizes ou que causem desconforto, demonstrar timidez ou falta de espírito de liderança, tudo pode acontecer em público. Seguindo a lógica deste tipo de pensamento catastrófico, estaríamos nos colocando em xeque perante o grupo.

Um mecanismo de proteção que provoca nervosismo

“Seu cérebro o diz (metaforicamente) ‘Oh, é uma situação perigosa, se você disser algo idiota, você corre o risco de ser excluído, e então de morrer!’. É um exagero, algo impensado, mas esta parte do seu cérebro ignora a razão.

Esta parte pré-histórica permanece em nossas profundezas e faz parte do ser humano. Mesmo se menos adaptada a nossa vida moderna, devemos muito a esta parte de nosso ser já que se trata de um mecanismo de proteção. No entanto, devemos ser conscientes na mesma medida de quais são os momentos nos quais este mecanismo é dispensável e para os quais não está bem adaptado.”

Traumas de falar em público podem provocar nervosismo

O segundo medo, segundo Sleator, pode estar ligado a traumas ou experiências ruins em público. Este talvez seja o menos consciente e o mais difícil de reconhecer. Dependendo do tamanho do trauma algumas pessoas, a dificuldade costuma começar já na hora de preparar a apresentação. Como todo trauma, fazemos de tudo para evitar que a lembrança perversa venha novamente à tona.

“Por exemplo, se você teve uma má experiência na escola, como o bullying em sala de aula, pode ser que você tenha presente em você mesmo, em estado inconsciente, uma associação negativa com o fato de ter de falar em público (…) A chave do problema é se reconectar com suas antigas lembranças que são a fonte de sua insegurança presente. Tomar consciência o permitirá se não eliminar esta inconveniente lembrança, ao menos de amenizar seu impacto no tempo presente. Passado é passado! Faça o esforço de deixar o passado para trás: existem inúmeras técnicas para isso”.

O medo da imperfeição pode interferir no momento de falar em público

Por último, devemos lidar com um medo muito comum, ligado aí sim à competição e à exigência do mercado. É o medo da imperfeição.

Quando pensamos: “Minha apresentação tem que ser interessante para todos”, “Não devo esquecer nada”, “Devo ser capaz de responder a todas as perguntas”, estamos certamente lidando com este tipo de medo. Sabemos muito bem qual é o resultado que pode ter tudo isso. O que poderia ser uma maneira de impulsionar a realização de um belo trabalho pode vir a terminar em tragédia, ou se tornar o principal obstáculo para a realização de uma simples tarefa.

Este medo, que Sleator nomeia como “cérebro exigente”, deve ser enfrentado com um olhar crítico sobre cada uma destas exigências: “Sejamos realistas, você não pode garantir que todas estas exigências sejam cumpridas. Como o segundo tipo de medo, este o impedirá sem dúvida de redigir sua apresentação porque você se inquietará a tal ponto de se sentir incapaz.

Você deve se esforçar para canalizar estes pensamentos que se embaralham na sua cabeça: examine-os um a um de maneira crítica. A fim de reduzir seu poder destrutivo, faça uma análise racional sobre a veracidade e a utilidade de suas exigências. Revise-as para transformá-las em comentários mais construtivos para si mesmo, o que o impulsionará para a ação e acalmará seus nervos.”

Como enfrentar todos os medos e desconfortos em público?

Concluindo, a primeira forma de enfrentar todos estes medos é ser consciente deles e saber separá-los entre si como tipos de origem diferentes para desconfortos em público.

Questionar estes fundamentos que nos parecem tão naturalizados e deixar de lado tudo que seja exagero ou ideias catastróficas é jogar uma luz de razão de “homo sapiens” sobre as inseguranças do “neandertal” ao mesmo tempo que é um exercício de autoconhecimento e de humildade. Muitas vezes esse é o caminho para lidar com o mundo moderno como verdadeiro homem moderno. Podemos dizer mesmo que está aqui um tripé para se sustentar em diversas áreas da vida, tanto profissional como pessoal.

No mais, como dizem os ditos: “Quem nunca errou que atire a primeira pedra,” “Errando é que se aprende”, “Errar é humano”. Estas são sabedorias populares muito mais realistas e construtivas do que as máximas negativas que teimam em ocupar nossa mente em situações tensas.

São a estas ideias positivas que devemos nos apegar para que sirvam de complemento a outras como “a união faz a força”. Não se esqueça que ao estar entre iguais todos estes iguais têm consciência, ou deveriam ter, de suas próprias limitações, por mais que sejam profissionais de alto cargo. Ninguém é perfeito. Só aprendemos com a experiência, e principalmente com os erros.

Dê um up na sua carreira! Confirma nossa dicas!

Comentários