Dia das Mães: ser uma mãe brasileira na França

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Imagem em destaque: imagem de ilustração

Domingo, 8 de maio, é Dia das Mães no Brasil. A redação de O Melhor de Paris aproveitou essa data para fazer algumas perguntas às mães brasileiras que moram na França e têm filhos franco-brasileiros.

Já pensou em como seria ter filhos com duas nacionalidades? Duas culturas? Como evoluiria num idioma diferente do seu?  Fizemos algumas perguntas a duas mães brasileiras que moram no sul da França: Carla, professora de português no ensino superior e mãe de uma menina de cinco anos e Lívia, pesquisadora e também professora de inglês no ensino superior que tem um filho de 2 anos e meio. Ambas vivem no sul da França. O que trouxe Lívia e Carla a Europa foram os estudos.

Há 10 anos  eu estudava a literatura inglesa em Londres, onde encontrei quem é hoje meu marido. Ele é francês e em 2008 nos mudamos para a França. Desde então continuamos morando em Aix-en-Provence.” disse Lívia, que  chegou à França sem conhecer a língua nem  a cultura. Para Carla, que é da cidade de São Paulo, foi diferente, pois ela foi à França para continuar os estudos de francês que tinha iniciado no Brasil.

Conseguimos facilmente imaginar como deve ser importante para essas mães que estão longe do país transmitir não só o idioma, mas também a cultura delas para os filhos:

Sempre achei importante que minha filha tivesse acesso à minha cultura e que pudesse comunicar facilmente com minha família no Brasil. Como sou professora de línguas estrangeiras, já na minha gravidez comecei a me interessar pelo bilinguismo. Eu falo com ela em português, mesmo quando ela me responde em francês. Leio livros, proponho filmes e desenhos brasileiros ou em português. Ela ouve muita música infantil brasileira também, desde bebê, como as do grupo Palavra Cantada.” disse Carla, cuja filha tem 5 anos.

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Logan, o filho da Lívia, só tem 2 anos mas, para ela, também é importante mostrar para o filho que ele tem uma parte da família em outro país: “Falo em português com ele. Ele fica na creche o dia todo, o pai fala em Francês com ele. Tenho livros em português que leio para ele. Falo com minha família em português pelo Skype,  também tenho muitos amigos brasileiros em Aix-en-Provence. Então, ele é exposto à língua e à cultura brasileira, mas não dá pra comparar com o francês. Embora ele entenda tudo em português, ele não tem tendência a falar.”

Para Carla, também se deve conversar muito sobre o Brasil e os costumes, os feriados, as festas ou até o modo de agir. “Procuro também preparar comidas. O fato de trabalhar diariamente com assuntos ligados ao Brasil facilita muito o contato com país.” Lívia também tem em mente o projeto de criar no sul da França um grupo de pais de filhos franco-brasileiros, como já existe em Nantes.

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Perguntamos também se o fato de ter filhos de pais franceses tinha feito com que elas se sentissem mais integradas à sociedade francesa a partir do momento em que tiveram filhos franco-brasileiros. “Eu não vejo a diferença”, diz Carla. “Eu sempre me senti muito bem na França, o que mudou foram os grupos aos quais tenho acesso agora que sou mãe. Antigamente, eu vivia mais em um mundo de estudantes, professores e pesquisadores como eu, ou amigos solteiros. Agora, tenho mais contato com outras mães e famílias. Ainda não tenho a nacionalidade francesa, gostaria de tê-la, mas não acho que me sentiria diferente, ou menos brasileira.

Lívia adiciona: “Já me sentia integrada. Agora que sou mãe, me sinto mais integrada no sentido de que conheço outro lado da França, o lado da saúde, tudo o que diz respeito ao parto, ao suporte do governo francês quando você está grávida. É muito diferente, porque conheço esse lado, a creche, as escolas, a visão da infância e a pedagogia, próprias da França, tudo isso conheço porque tenho um filho.

Lívia e Carla comemoram com os filhos a data francesa do Dia das Mães, que é o último domingo de maio (esse ano no dia 31 de maio). Mas sempre lembro minha filha da data no Brasil porque eu mesma entro em contato com minha mãe e minha vó para felicitá-las”, precisa Carla. “Eu acho que essa data é mais comemorada no Brasil. O brasileiro, em geral, tem uma estrutura de clã em volta da mulher (da mãe ou da vó) que não vejo muito na França.”

Lívia compartilha da mesma opinião:Eu sigo a data francesa, mas para minha mãe eu dou os parabéns no Dia das Mães do Brasil. Não sei dizer se a festa é mais comemorada no Brasil ou na França, mas o que posso afirmar é que no Brasil as pessoas são mais apegadas à família. Na França, as pessoas não vão viajar em outras cidades para ver a mãe nesse dia.

Hoje, nem Lívia nem Carla pensam em voltar a morar no Brasil, por enquanto. Mas Carla acrescenta: “Desejo que minha filha, mais tarde, se quiser, passe um ano no Brasil (na adolescência, talvez). Acho que vai ser muito importante para ela e acho que ela gostará da ideia. Mesmo sendo pequena, ela já integrou  as duas nacionalidades e duas culturas. Ela nunca se apresenta somente como francesa ou brasileira, ela sempre diz que é os dois. Então, acho que ela terá interesse em viver a outra cultura dela mais de perto.”

 

omp_amandine_paintPor Amandine Simoni para O Melhor de Paris 

 

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