Encontro com Lilimarche, artista do novo cenário musical francês

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Lilimarche é uma personagem criada pela cantora, compositora e intérprete francesa Leslie Bourdin, a partir da qual ela compartilha suas músicas como se distribuísse fotos na rua. Uma série de clichês sobre as emoções do quotidiano, rostos familiares, amor louco e o tempo que passa. Musicista completa, Leslie Bourdin, destacou-se primeiramente acompanhando vários artistas do novo cenário musical francês. Em 2014, lançou seu primeiro álbum independente: Au Bar de l’hôtel. Ela nos fala hoje sobre sua nova obra, Chansons Polaroids, sobre suas influências, sobre Paris e a França. Um encontro com uma artista de poesia e música.

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Olá, Leslie! Obrigada por aceitar a nossa entrevista, já que sabemos que você está viajando pela França neste momento! A sua carreira solo começa a tomar forma no país, não é isso?
Olá, Amandine! Sim, estou muito contente! É o resultado de vários anos de trabalho. Eu estudo música desde muito pequena. No meu percurso passei por vários conservatórios (teoria, piano, partitura, arranjos…) e vários anos viajando pelo mundo inteiro tocando piano, acordeão, teclado… Tudo isso enriqueceu minha experiência solo iniciada há 3 anos!

Você canta e escreve letras em francês. O francês é para você uma língua musical ou, ao contrário, uma língua não sonora?
Eu não acredito que haja línguas mais ou menos adaptadas à música. O Inglês é mais sonoro, mas o francês oferece uma musicalidade magnífica se soubermos manipulá-lo! É uma língua linda e muito rica, cheia de imagens que permite captar o cotidiano com poesia!
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Quais autores ou compositores franceses são fontes de inspiração para você?Os melhores como Serge Gainsbourg, Barbara (autora, compositora, intérprete e também pianista), Serge Reggiani, são grandes fontes de inspiração, mas também sou sensível a grupos atuais que exaltam belos textos franceses, como feu!chatterton ou Hollydays, por exemplo.


A cidade de Paris também é uma fonte de inspiração para você?
Hoje sim, mas eu nem sempre tive essa relação afetiva com a capital da qual eu já fugi muito, porque lá eu não encontrava meu lugar. Muita efervescência, muito tudo. Mas eu me apaixonei loucamente por Paris, me reconciliei com a minha cidade, descobrindo uma série de lugares (restaurantes, bares, jardins, lojas) que eu ainda não conhecia. Isso me lembrou de que Paris pertence a todos (claro que quando temos os meios de pagar um aluguel) e, a nós, cabe apenas encontrarmos a nossa Paris. Segundo o humor, os meios ou a inspiração. Tem tudo nesta cidade.

Para você, quais são as características da música francesa? É um estilo particular?
É uma boa pergunta! Para mim, hoje, o termo música francesa define apenas uma música cuja letra é em francês. Cabe a nós, titulares da proposta, sermos mais precisos para motivar as pessoas a descobrirem nossa música. Quanto a mim, nomeei meu álbum de Chansons Polaroïds. Minhas músicas são como fotos instantâneas: no presente e descritivas. Como Polaroids, que saem de um aparelho e que testemunham um estado de fato, muitas vezes imperfeito, sem filtro e muito rapidamente destinadas a se tornarem uma lembrança.

A seu ver, qual(is) imagem(ns) feminina(s) aparece(m) nos textos da música francesa? Imagino que tenha havido uma evolução desde
Édith Piaf até cantoras atuais como você?
Imagino que nos textos que as mulheres escrevem ou interpretam ao longo das décadas, assistimos a sua emancipação e a evolução da sua condição.

Você acredita que o Brasil e/ou a música brasileira poderiam, um dia, te inspirar?
Eu sou fascinada pelos modelos brasileiros, as melodias variadas e os arranjos de Antonio Carlos Jobim, por exemplo. Uma das minhas grandes emoções musicais foi descobrir as vozes destes cantores e cantoras brasileiros. Um grande choque. Então, sim, certamente a música brasileira é uma fonte de inspiração muito forte! E eu sonho em descobrir o país um dia e lá cantar minhas músicas!
Obrigada, Leslie por esta entrevista! E boa sorte nos seus projetos!
Obrigada, Amandine! Espero poder visitá-la em breve no Brasil!
Para conhecer mais sobre o trabalho de Lilimarche, confira os vídeos clipes Amour d’Été, Camille, Ce matin.

Por Amandine Simoni para O Melhor de Paris

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