Dia das Mães: ser uma mãe francesa no Brasil

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Imagem destacada: imagem de ilustração.

Domingo, 8 de maio, é Dia das Mães no Brasil. A redação de O Melhor de Paris aproveitou essa data para fazer algumas perguntas às mães francesas que moram no Brasil e têm filhos franco-brasileiros.

Já pensou em como seria ter filhos com duas nacionalidades? Duas culturas? Como evoluiria num idioma diferente do seu?  Fizemos algumas perguntas a duas mães brasileiras que moram no estado de São Paulo: Myriam, professora de francês em Piracicaba, cidade do interior, e Morgane, diretora de marketing que vive na capital paulista.

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Dois motivos diferentes trouxeram Myriam e Morgane para o Brasil. Myriam chegou há 20 anos, levada pelas circunstâncias da vida, e Morgane veio para trabalhar. Myriam, de 54 anos, tem um filho de 20 anos que se chama Monan e cujo pai é brasileiro. Monan nasceu na França e veio para o Brasil com 5 meses. Morgane tem dois filhos também já grandes: o Gael de 18 anos e Malo Martin de 16 anos.

Myriam nos contou “Falo só em francês com meu filho. Ele não estudou no Lycée Français Pasteur pois moramos no interior de São Paulo. Se tivéssemos ido para a capital, acho que ele teria estudado no Lycée Français. Isso teria enriquecido a formação dele, porque, por exemplo, ele sabe falar mas não sabe escrever em francês. Eu sou a única pessoa com quem ele fala francês. Foi isso que nos faltou aqui em Piracicaba.”

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Para Morgane, que mora em São Paulo capital, já foi diferente: “Era importante para mim oferecer uma educação francesa aos meus dois filhos, tanto no Brasil quanto em outro pais. Acho excelente o nível de ensino no Lycée Français. A sorte é que a rede de escolas francesas é a mais ampla do mundo. Tem escolas francesas em qualquer cidade do mundo, ou quase, caso eu fosse transferida.” Além da escola francesa que os filhos dela frequentaram, Morgane transmitiu a cultura francesa para eles também fora da escola quando eram menores: “Os dois tinham assinatura em revistas mensais francesas. Viajamos todo ano para a França para encontrar a família e amigos e visitar uma região ou uma cidade turística. Na verdade, eles visitaram mais pontos turísticos e museus na França do que os primos deles que moraram lá a vida inteira. Tentei promover a leitura. Continuamos acompanhando as noticias e comentando em casa os acontecimentos na França e na Europa de maneira geral.”

Myriam era a única referencia de língua francesa de seu filho: “Eu ensino a língua francesa. Tenho uma pequena escola e meu filho sempre conheceu meus alunos então ele está nesse meio de transmitir essa cultura. Fora isso eu cozinho bastante comida mediterrânea, e ele me ajuda. Também escutamos muita música francesa.”

 

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Já que Morgane e Myriam têm filhos que são adolescentes ou jovens adultos, ambas costumam conversar sobre a situação social e a política na França. “Sempre, mas não se restringe a situação à França.” A Myriam insistiu mais nesse ponto: “Eu transmiti muito porque gosto. Leio todo dia o jornal francês, e depois eu comento, claro que de uma maneira superficial, mas enfim ele já sabe. Todo ano viajamos para a França e lá também conversamos mais sobre isso.”

Com 54 anos, Myriam não exclui a possibilidade de se aposentar na França: “Não sei se meu filho viria comigo, mas se um dia ele quiser ir, seria uma boa experiência. Ele já ficou alguns dias na escola primária e no colégio quando estava de férias lá, e já sentiu como é que é.”

O filho mais velho da Morgane já tem planos para ir à França: “O meu filho mais velho foi aceito numa escola francesa. Na verdade, ele é muito mais confiante do que eu, está feliz em mudar e viver novas experiências na França. Eu fui criada fora da França (na Argentina) e para mim foi um choque violento chegar aos 18 anos em Paris.”

De fato, mudar de país pode ser difícil no início, mesmo que a primeira vista acreditamos que não haja tanta diferenças entre as culturas francesa e brasileira. Mas em todo o caso, ser bi-cultural é sempre uma sorte e poder falar duas línguas e morar em dois países representa uma grande oportunidade para o futuro.

Por Amandine Simoni para O Melhor de Paris 

 

 

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