A cor e a luz como elementos da cultura e da decoração francesa

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Conhecemos bastante da cultura francesa pelos filmes. Nesses filmes é comum nos atentarmos para a direção de fotografia em que se percebe um tom clean e discreto com a combinação de cores básicas, geralmente o preto, o vermelho, o branco, o cinza e o azul. Entre algumas outras variações temos os tons pastéis e pouco uso de cores chamativas. Já reparou?

A cor e a luz como elementos da cultura e da decoração francesa

Faça este exercício, é interessante mesmo para pesquisar sobre a decoração das casas francesas que aparecem ao longo da película. Pegue clássicos como a “Trilogia das Cores” de Kieslowski: “A Liberdade é Azul”, “A Igualdade é Branca” e “A Fraternidade é Vermelha”, ou como os célebres “O Fabuloso destino de Amelie Poulain”, “Pequeno Nicolau”, “A culpa é do Fidel!”, “Intocáveis” e tantos outros filmes “cults”, como os de Jean-Luc Godard, Alain Resnais e outros. Eles lhe darão uma ideia da preferência francesa por cores suaves.

Outro teste que pode ser feito para constatar esta preferência é caminhar pelas ruas de Paris ou qualquer cidade francesa. Alguns irão dizer mesmo que há uma ausência de cores nas vestimentas dos franceses ao se deparar com a neutralidade e sobriedade. Isso só muda um pouco no verão, quando alguns ensaiam sair mais coloridos de casa mas geralmente usando os tons pastéis.

A origem da preferência crómatica na Reforma Protestante na França

O apego a esta estética sóbria tem um fundo verdadeiro e histórico. Há inclusive estudos sobre o tema que apontam a Reforma Protestante como origem da preferência cromática na França. O preto, por exemplo, segundo os protestantes representava as virtudes enquanto as cores fortes (com exceção do vermelho que está muito remetido aos reinados) representavam o pecado e a luxúria.

O historiador Michel Pastoureau, grande especialista francês no estudo das cores, possui vários livros em que o assunto é destrinchado, como « Figures et couleurs. Études sur la symbolique et la sensibilité médiévales », « Couleurs, images, symboles. Études d’histoire et d’anthropologie », «Bleu. Histoire d’une couleur », « Les Couleurs de nos souvenirs » e « Vert. Histoire d’une couleur ».

Ali está uma série de explicações para toda esta cultura das cores francesa que será refletida diretamente na decoração dos ambientes.

O usa da cor e da luz no estilo de decoração francesa

Vamos a alguns exemplos:

É comum nas casas de estilo mais moderno uma estética bastante clean, de paredes brancas, de móveis vazados, prateleiras com livros que deixem exposto um espaço maior entre cada ou outros elementos leves de decoração.

Se as paredes não são brancas, são utilizados pinturas ou papéis de parede, seja em tom pastel ou então com temas e desenhos que não carreguem muito o ambiente.

Os móveis de estilo provençal costumam levar pátina, tinta branca que recobre os móveis de madeira com acabamento com impressão de desgastado. Tudo isso joga as cores para a suavidade e no máximo para tons pastéis.

A cor e a luz para empregar um tom iluminado ao ambiente

Além disso, os franceses costumam dar maior utilidade às entradas de luz para empregar um tom iluminado ao ambiente. É muito comum que as cozinhas francesas sejam ao lado de jardins e varandas pela característica das casas francesas, ou então iluminadas pelas grandes e altas janelas nos apartamentos ou nos chamados studios (pequenos apartamentos, como as kitchenettes brasileiras). A janela alta é coisa comum, pois imóveis são de construções mais antigas.

Também é comum que os jardins sejam um cômodo da casa onde se fazem atividades ou se passa boa parte do dia como o café da manhã e momentos dedicados à leitura. Estão presentes mesmo nos fundos de prédios os pequenos espaços com cadeiras e mesas e assim como nos cafés de Paris, muitas vezes estes espaços recebem toldos de cor esverdeada ou escura.

Agora, quetal tar um toque francês à sua casa com o estilo de decoração Luis XV?

 

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